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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Niente



Minha janela do quarto é daquelas grandes, que vão até o chão, e dá para um balcão pequeno onde só cabe uma pessoa de pé. A vista até que é razoável.
Humpf. Mentira, é uma merda. Mas fazem duas semanas que não pego onda nem vou pra praia, então me contento com a janela por onde decido ver o dia passar. Uma opção clara pelo nada, por não procurar assunto ou preencher o tempo. Hora sai o sol, hora bate a chuva num domingo onde paulistas lotam as padarias do bairro, os cafés e os sofás com vista para a Fórmula 1 na TV. Eu fico com a janela e com o silêncio. Uma combinação que já deu muito pano para as mangas de Vilhelm Hammershøi, pintor dinamarquês obcecado por linhas e por um certo sentido de contemplação que me pertubaram na primeira vez que vi. Para ele, o nada é suficiente e, nesse domingo, também para mim.
Mentira de novo. Numa virada espetacular - leia-se, uma tentativa besta de lhe dar mais alguma razão para continuar lendo esse blogue - me agarro no assunto janela e sugiro o trabalho do blogue Tebe Interesno. O cara é russo e faz umas interferências em fotos como a que abre o post.
Abaixo, a versão de Hammershøi do mesmo tema.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Bico

Nesses tempos de crise, não dá pra dispensar oferta de trabalho. Se você acha que preenche todos os pré-requisitos, não jogue fora essa chance. E ao contrário de muita oferta de emprego hoje em dia, "No anal required".



Não resisti. Escolhi 'arte' como um dos marcadores.
Fonte: FUCT.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A † the Universe

Todo filmado nos Estados Unidos, A cross the universe, o filme do Justice que está quase saindo do forno, promete.

Mais do que simplesmente registrar o backstage da turnê, o documentário foi inteiro roteirizado. Misturando referencias de todos estilos (de Gondry a Jackass) o documentário mostra um pouco do universo da dupla.

Pessoas bem próximas dos "meninos" que já viram mais cenas do filme disseram que durante a filmagem aconteceram fatos não previstos que prometem dar o que falar.

Lançamento em 24 de novembro

Medo de ladrão? Não, de Sophie

Um amigo foi assaltado na Dutra, quase chegando no Rio de Janeiro. Ele e a esposa ficaram sem celulares, documentos, dinheiro, cartões de crédito. Me perguntei, enquanto ouvia ele contar, o que eu faria se me encontrasse nessa mesma situação. Eu mal consigo decorar minha senha do banco, quanto menos os números dos celulares das pessoas que poderiam me ajudar. Minha única reação talvez fosse ajoelhar e rezar para que o assaltante não seja amigo de Sophie Calle.

Sophie é uma fotógrafa, artista plástica e conceitual. Mora em Paris, onde nasceu. Foi lá que começou a desenvolver uma maneira muito peculiar de produzir arte. Sem medo de expor suas intimidades, Sophie alterna obras onde abre aspectos muito delicados de sua vida com outras que, sem melindres, invadem a de terceiros de forma impiedosa. Saca só do que ela é capaz:
. Ela conseguiu um emprego de camareira num hotel em Veneza só para poder entrar nos quartos enquanto os hóspedes não estavam e, secretamente, fotografar seus objetos pessoais e anotações para uma exposição.
. Uma outra vez ela criou um projeto chamado
The Adress Book. A sujeita encontrou uma agenda de telefones perdida na rua e, antes de devolver ao dono, xerocou as páginas. Daí ela entrou em contato com as pessoas presentes na lista e pediu que elas falassem sobre o tal proprietário da agenda, construindo assim o perfil de um homem o qual ela jamais conhecera.
. Ela convidou 24 pessoas para viverem na cama dela por 8 dias seguidos cada uma. Algumas delas sequer a conheciam. Ela os servia comida de hora em hora e os fotografava.

Namorar uma sujeita dessas? Pois é. O último que tentou virou mais um de seus projetos.
Ela pegou o email de despedida, onde ele lhe explicava suas razões para o término, e convidou 107 mulheres - entre elas uma atriz, uma palhaça e uma dançarina - para que o lessem e tirassem suas próprias conclusões. O título desse projeto é Take Care of Yourself, a última linha do email.
Que venham os ladrões. Eu tenho medo (Mas pago pau.) é da Sophie.

Abaixo, o tal email exibido em forma de código de barras e uma foto do hotel em Veneza. Para mais, veja aqui e leia a Tokion desse mês.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Salve Ferris

Um grupo de mentes brilhantes decidiu dar um significado à tradicional e bizarra festa de halloween nova iorquina. ( E pensar que os americanos tem uma referência muito melhor que a deles, ali do lado, no México: o Dia dos Muertos.)
Eles vão refilmar a antológica cena de Ferris Bueller's Day. Aquela do povo dançando Twist and Shout dos Beatles no meio da rua, tá lembrado? Lógico que está.
Para participar basta se inscrever no site e comparecer fantasiado.
Vale lembrar a introdução que Bueller fala antes de começar o rock n' roll para ver se te anima:
"Eu vou cantar uma música pra vocês, uma das minhas preferidas. E gostaria de dedicar essa música a um cara que acha que não fez nada de interessante hoje."
Se isso não foi suficiente, eu aposto que vai ter chuva de ação picada do Lehman Brothers, AIG - e de quem mais cair até lá - sobre a rapaziada.

Pena que o dólar já tenha chegado a R$ 2.30. Mas meu irmão, que já tinha comprado as passagens, vai.


segunda-feira, 6 de outubro de 2008

PH em Caixa Alta


The Art of Levitation

A Dazeddigital, versão online da Dazed&Confused, tem um espaço - com ares de campeonato - para fotógrafos talentosos do Flickr.
Fica dentro de uma área do site onde Fotografia se escreve assim, com F maiúsculo. Com PH, nesse caso. Tem espaço pra tudo: exposições, perfis, photoblogs, moda e o Flicker Showcase, o tal campeonato sobre o qual comecei falando. De tempos em tempos os editores da Dazed destacam o trabalho de um dos que se submeteram a essa comunidade e o disponibilizam dentro da home. Como se isso não fosse bom o suficiente, o cara também é entrevistado. O último agraciado foi David Picchiottino. Já a foto que encabeça esse post, chamada de Art of Levitation, é de Eleanor Hardwick (Leenah), de apenas 15 anos de idade e mais de 2000 fotos publicadas por ali. Dá pra ficar um bom tempo no photostream dela.
Se couber aqui uma sugestão de trilha sonora para essa aventura, aqui vai: o álbum Dear Sciense, do TV on the Radio. Muito bom. Com direito a um montão de 'us' no muito se eu fosse chegado a esse tipo de afetação. Ainda não te convenci a dar esse passeio? Olha essa segunda foto da Leenah. Faz parte de um projeto chamado Home.


Home

Abaixo um slideshow com o trabalho de David Picchiottino.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Scratchable!

Depois que a Apple deu início à era touch, nada mais será como antes.

Sctrachable cats:




Sctrachable cars:

Update everything










Agora você pode escolher o que faz com seu porco de estimação: come, leva pro estádio ou transforma em arte.

Podemos dizer que isso é uma maneira de agregar valor??
Os caras do Trendwhatching classificariam dentro da tendência Update Everything.

Aposto que se colocar um desses na Daslu (especialmente aquele com logos LV) vai vender!

Aquecendo ou I wanna hurry home to you


The National com filminho do Godard ao fundo: aquecimento para o Tim Festival e para 32a Mostra que estão chegando aí. Sim, eu sei que os homenageados desse ano são o Bergman e o Okamoto mas eu não encontrei nenhum videozinho deles com bandinhas do Tim Festival. Não, eu não vou assistir Berlin Alexanderplatz, o filme de 15 horas do Fassbinder. Por favor, alguém que tiver coragem de assistir, me conta depois. Me contento com Lola, Maria Braun e Veronika Voss no meu currículo.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Beck's. Mas o que será que eles andam fumando?












O que quer que seja, é do 4 para 1.
Até Pollock, que transformou suas telas no vestígio da ação de pintar, ficaria interessado.
A cerveja Beck's, com mais de uma centena de anos desde seu surgimento, acaba de criar o Beck's Live Studio. Babe: uma câmera colocada num estúdio transmite, ao vivo, o processo criativo de um grupo de artistas que pintam, esculpem, fazem o cacete a partir de um remix de músicas criado pelos próprios internautas. Só mais um detalhe: esse remix é editado na própria web através de um programa que qualquer mortal pode acessar. Tem faixas da seguinte turma: Moby, Roisin Murphy, Does it Offend You, Yeah?, Midnight Juggernauts, Axwell e sei lá quem mais. Você remixa, manda pros caras, eles escutam e criam enquanto o mundo assiste.
Depois fica tudo ali numa galeria pra quem quiser ver a obra e ouvir a música que lhe deu origem.
Como diria o personagem de Cidade de Deus: Que putaria é essa?

Alex Knost. Figuraça da semana



Se você não conhece Alex Knost, não se sinta mal. Pouca gente já ouviu falar nele. Talvez pelo fato do sujeito fazer de tudo um pouco. O cara surfa, mas não é profissional. Customiza roupas, pinta quadros, estrela longas experimentais - Beach Blanket Burnout, resgata pranchas antigas e as joga dentro d'água para lhes servirem de ferramenta para um surfe intuitivo, progressivo e, ao mesmo tempo, retrô. Mil lances. Vai entender.
O cara é assim mesmo e por tudo isso você deve correr atrás de saber quem é esse sujeito. Patrocinado pela RCVA, local de Newport CA, Alex reúne alguns conceitos de surfe introduzidos por Joel Tudor ao espírito livre dos artistas do movimento Beautiful Losers. Mistura boa. Depois de tantos elogios vagos, não poderíamos deixar de falar da banda que lidera: The Japanese Motors. Ouça e tire suas conclusões. Abaixo um trailer do longa e o figura pintando seus quadros.