
Minha janela do quarto é daquelas grandes, que vão até o chão, e dá para um balcão pequeno onde só cabe uma pessoa de pé. A vista até que é razoável.
Humpf. Mentira, é uma merda. Mas fazem duas semanas que não pego onda nem vou pra praia, então me contento com a janela por onde decido ver o dia passar. Uma opção clara pelo nada, por não procurar assunto ou preencher o tempo. Hora sai o sol, hora bate a chuva num domingo onde paulistas lotam as padarias do bairro, os cafés e os sofás com vista para a Fórmula 1 na TV. Eu fico com a janela e com o silêncio. Uma combinação que já deu muito pano para as mangas de Vilhelm Hammershøi, pintor dinamarquês obcecado por linhas e por um certo sentido de contemplação que me pertubaram na primeira vez que vi. Para ele, o nada é suficiente e, nesse domingo, também para mim.
Mentira de novo. Numa virada espetacular - leia-se, uma tentativa besta de lhe dar mais alguma razão para continuar lendo esse blogue - me agarro no assunto janela e sugiro o trabalho do blogue Tebe Interesno. O cara é russo e faz umas interferências em fotos como a que abre o post.
Abaixo, a versão de Hammershøi do mesmo tema.


















